As Aventuras de Tintim

Desde de o anúncio da superprodução cinematográfica de Tintim, passaram-se cinco anos. Mas a espera dos fãs por um filme do jovem heroi belga durou muito mais. Tintin apareceu pela primeira vez pelo traço de Georges Remi na década de 1920, e desde então foi adaptado algumas vezes. Uma breve busca pelo Youtube é o suficiente para descobrir algumas tentativas frustradas de se fazer filmes live action (que mais lembram o fracassado Popeye, com Robin Williams), longas animados e até mesmo um musical para teatro (!) sobre o destemido repórter. Somente a série animada dos anos 1990 foi bem sucedida na tentativa de traduzir a linguagem dos quadrinhos para o movimento.

Os gigantes de Hollywood Spielberg e Jackson aceitaram o desafio, pois declararam-se apaixonados pelo adolescente que nunca teve de lidar com um deadline na vida — estima-se que Tintim tenha cerca de 15 anos. O povo vibrou. Pouco depois, o público descobriu que não seria o rostinho de bebê de Jamie Bell (o eterno bailarino Billy Eliot) que apareceria nas telas: seria usada a técnica de captura de movimento, similar à do filme Expresso Polar. O povo fechou a cara.

Tenho de admitir que eu mesma tive um micro-derrame cerebral ao descobrir que teria de ver um Milou virtual em vez de um lindo terrier branco treinado. Mas cada pedacinho que era revelado sobre o filme era como um pouco de água fria e calmante sobre nossas cabecinhas quentes de fãs: o site oficial do filme chegou a liberar a versão digital da clássica imagem da dupla Milou e Tintim correndo sob o holofote, a conta-gotas, um quadradinho por vez. E os apaixonados pelo repórter, devagarinho, começaram a acreditar nessa ideia doida de Spielberg. Quem ainda tinha dúvidas sobre a estranha animação humana-digital é recebido no início do filme com uma piada, que faz relação entre a carinha redonda original de Tintim e o rosto novo, que ganhou rugas e narinas.

O resultado de toda essa espera, que terminou nas telas brasileiras somente no final desde mês, foi um colírio para os olhos. Assisti o filme na pré-estreia de sábado, numa sala recheada de crianças que, se não conheciam a aclamada animação feita há mais de 20 anos, com certeza não sabiam da existência dos livros em quadrinhos originais. Tanto os pequenos, quanto os seus pais (que cresceram sob a influência do personagem) vibraram do primeiro ao último minuto da exibição.

A primeira sequência da película é uma pequena animação em 2D que resume cada uma das aventuras do jornalista. É quase um caça-palavras para fãs apontarem as imagens na tela, como crianças que adivinham pokémons na televisão. Aliás, o filme é cheio de surpresas agradáveis para os aficionados por Tintim, como referências a elementos cortados da trama original e participações de personagens como a hilária Castafiore e do gato siamês do capitão Haddock. Até mesmo o criador da série, Geroges Remi, conhecido como Hergé, dá uma de Stan Lee e aparece logo no início do filme — nenhuma novidade, ele foi homenageado em todos os capítulos da série animada.

O filme começa no mercado de pulgas, onde Tintim descobre a miniatura do Licorne, barco que liga as histórias de O Segredo de Licorne; Hackam, o Terrível; e O Caranguejo das Tenazes de Ouro. Importante é lembrar, desde já, que as histórias não são seguidas ao pé da letra. Como o filme é uma adaptação, muita coisa teve de ser mudada para dar ritmo e coerência ao roteiro. Mas, mesmo quem conhece de cor as falas dos livros e da animação original pode ficar tranquilo. Tudo funciona perfeitamente, e pouca coisa faz falta na trama.

Como qualquer filme de Spielberg, aliás, As Aventuras de Tintim é um programa para toda a família. O repórter é transcrito como um jovem Indiana Jones, e as cenas de ação são frenéticas o bastante para serem divertidas, mas não confusas o suficiente para entediar as crianças. Piadinhas bobas também são obrigatórias, muitas sobre o controverso vício de Haddock pelo álcool, e até mesmo algumas com o teimoso topete do heroi e com a o comportamento do jornalista, que mais lembra uma espécie de detetive desbravador.

Quem é fã não pode mesmo reclamar da ressurreição do belga nas telonas. Uma produção divertida e respeitosa com a obra original, As Aventuras de Tintim é uma boa opção para quem não conhece o personagem, sem deixar de ser um presente para os fãs. — a estreia da película ainda veio acompanhada de promoções com bonecos nos cinemas, relançamento dos livros que inspiraram o filme e até mesmo o retorno da amada animação à televisão, no Canal Futura. Muito bom para quem antes tinha de escavar os livros nos sebos e dependia de DVDs para ver o intrépido repórter em ação.

 

Spoiler de fã: pelo andar da carruagem do filme, o próximo longa da franquia (a ser lançado em 2014) deve ser baseado do Caso Girassol, história em que o cientista é introduzido ao grupo. Se a nova trama também contar com outros livros, cruzo os dedos para que o professor Trifólio Girassol seja logo capturado para início de As Sete Bolas de Cristal e O Templo do Sul (meus favoritos).

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Sobre aleviana

Tento traduzir em texto algumas de minhas obsessões. Dispersa, idiossincrática, irritada e, claro, leviana. Como todo mundo que é isolado dos cículos sociais, dedico mais tempo a coisas obsoletas do que a coisas importantes, como trabalho, estudo, exercícios e nutrição. Excelente planejadora, mas impedida pela procrastinação interminável. Escrevo quando quero. Quando não quero, faço outra coisa.
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